Loja Colaborativa do CEN é reinaugurada no Pelourinho

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O casarão número 25 da Rua das Laranjeiras, no Pelourinho, voltará a ser o ponto de encontro de quem privilegia consumir produtos de economia solidária elaborados por empreendedores negros. Após um pequeno período fechada para reorganização e entrada de novos expositores, a Loja Colaborativa do Coletivo de Entidades Negras (CEN) será reaberta nesta segunda-feira, 4 de fevereiro, à partir das 18h.
O evento de reinauguração será marcado por um coquetel e por um bate-papo informal sobre empreendedorismo negro com os 20 produtores que farão parte da nova composição do espaço de vendas. O DJ angolano Fábio Lima animará as pickups, celebrando o momento.

A iniciativa de organizar uma Loja Colaborativa no andar térreo de sua sede, no Pelourinho, surgiu dentro do CEN como parte do projeto da Feira de Empreendimentos Negros Solidários, que ocorreu ali ao lado, na Praça Pastores da Noite, entre julho e novembro, com financiamento da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Naquele período, vestuário, teatro, música, acessórios, cosméticos e outras atrações passaram pela praça.
A construção de um local fixo para a comercialização de produtos de economia solidária negra, contudo, foi custeado pela instituição, a partir de contribuição de seus militantes e parceiros. O espaço, por exemplo, foi pensado e executado com o apoio do arquiteto Marcos Alan da Hora Brito, da empresa HoraBrito Arquitetura, Urbanismo e Engenharia.
“Esse espaço só foi possível por causa de muita união nossa, de colaboração militante e da ajuda de muitos parceiros, entendendo que incentivar a produção desses empresários negros é uma forma importante de lutar pela superação do racismo na nossa sociedade”, destacou o coordenador-geral do CEN, Yuri Silva.
“A gente, quando fala das questões negras, tende a falar sobre as dores que sofremos, mas evitamos falar sobre dinheiro, porque o racismo nos ensinou que é feio falar disso. Mas precisamos mudar isso e começar a falar de dinheiro, lutar para que acessemos as riquezas também, para a produção do nosso povo chegue cada vez mais longe”, defendeu.
Remanescente da primeira formação da loja e uma das gerentes do espaço na nova fase, a empreendedora Ashanti Elesbão, da empresa de cosméticos naturais Asha, frisa a importância de um espaço que comercialize produtos de gente preta.
“Essa loja é um marco na nossa realidade soteropolitana, por ser uma loja exclusivamente negra, localizada no Pelourinho. Trazemos uma outra leitura a esse espaço, onde nossos antepassados tanto sofreram. A loja é ‘coisa de preto’ pela sua localização, qualidade e forma de gestão”, afirma a microempresária, dizendo-se animada para a reinauguração.
Iraildes Andrade, também coordenadora do CEN, destaca que o intuito da Loja Colaborativa não é apenas o comércio de produtos, mas dar a oportunidade do microempresário negro de ter uma plataforma para fazer com que a sua marca cresça.
“Esta proposta ganha ainda mais relevância socioeconômica a partir do momento que alinha uma estratégia de combate à pobreza, pautada nos princípios da economia solidária, com as políticas de gênero, de juventude, de promoção da igualdade racial e de desenvolvimento sustentável, contemplando negros, jovens negros, comunidades tradicionais e mulheres negras”, ensina ela.

*Texto: Iuri Rosário

SERVIÇO
O QUE – Reinauguração da Loja Colaborativa do CEN.
ONDE – Sede do CEN, Rua das Laranjeiras, 25, Pelourinho.
QUANDO – 4 de fevereiro, segunda-feira, à partir das 18h


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