#65%nãomerepresenta:Sobre a pesquisa do Ipea e o comportamento das mulheres

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Este post é um tantinho sério e é destinado a cacheadas e cacheados, lisos e ondulados, homens e mulheres, de todas as etnias, gênero, opção religiosa e sexual, profissão e estado civil.

Diante da pesquisa divulgada pelo  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)  no último dia 27, sobre o comportamento das mulheres,  com 3.810 homens e mulheres entrevistados e  quando perguntados se: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” , 65% das pessoas responderam que sim, abro um parêntese no meio do Presença Cacheada para informar que nós, editoras de conteúdo e colaboradoras do site não somos representadas pelas supostas 65% das pessoas que afirmaram que mulheres que usam roupas curtas MERECEM (com destaque a essa palavra) ser atacadas.

 

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Foto:Manifesto “Eu não mereço ser estuprada(a)

Digo, supostas 65%, porque não consigo compreender que haja pessoas que concordem com tal informação, principalmente diante detantas mensagens de repúdio e contra o resultado da pesquisa. Chego me questionar se não houve uma inversão na contagem, e, ainda assim, configuraria um absurdo 24%, 12%, 1%, 0,000000001% dos entrevistados concordarem com tamanho absurdo! Chego, sim, a crer em manipulação da pesquisa, pois considero as perguntas capciosas, quando leio por exemplo que uma das indagações foi: “Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama” e me confronto com 34% dos entrevistados dizendo que sim.

E fico aliviada, em ver, nas redes sociais e nas discussões do dia a dia, entre amigos, familiares e desconhecidos, que a opinião das pessoas às quais EU “entrevisto” reflete justamente o oposto. Aliviada, porque afirmar que alguém MERECE (mais destaque) ser atacado em razão da roupa que veste, ou de qualquer outra coisa, é uma inversão de valores que chega a causar confusão mental.

É bom deixar bem claro que atacadas, na pesquisa, quer dizer estupradas. De acordo com o IPEA, 65% dos entrevistados concordam totalmente que mulheres MERECEM ser estupradas em razão da roupa que escolhe usar.

Que fique mais claro ainda: estupro é crime. Tipifcado pelo Código Penal Brasileiro no art. 213, e significa constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. É considerado crime hediondo e possui pena máxima de 10 (dez) anos! Agora eu pergunto: é justo culpar a vítima dessa barbárie por ter sido vítima?

Se eu considerasse como verdadeiros os indicativos da pesquisa, isso me levaria a crer que há, em nossa sociedade, uma política misógina, especialmente contra as  mulheres que desfilam sua beleza e o seu corpo, livremente (coisa de gente recalcada). Levaria a crer também que a nossa sociedade é machista, paternalista que transforma a mulher em objeto.

Me pergunto, então: o que dizer às mulheres que usam calça jeans, saião ou vestido comprido que foram atacadas? Quem deu causa ao estupro, neste caso?

Me pergunto, ainda, qual a razão de uma pesquisa a esse nível. Não encontro respostas. Ou melhor, encontro perguntas: Não está na hora de punir aquele que não consegue controlar os seus instintos sexuais? Não está na hora de enxergar que é vítima e quem é culpado?

A culpa do estupro não é da vítima, mas do estuprador! Não é a roupa que você veste que indica se alguém pode ou não te atacar. Não pode. Isto é fato!

Mulheres que um dia sofreram violência, a culpa não é de vocês. Não foi a sua roupa. Não foi a sua dança. Não foram as suas escolhas.

Por conta destes dados, a jornalista, Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil, a jornalista tirou uma foto nua, na frente do Congresso e  iniciou uma campanha nas redes sociais contra a violência contra a mulher, o protesto virtual “Não mereço ser estuprada”.

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Apoiamos o Manifesto  “Eu não mereço ser estuprada”.

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Assinamos embaixo da postagem de Cláudia Sales

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